Ainda era guri novo, aproximadamente com uns 8 ou 10 anos de idade. Andava bem serelepe pela escola, feliz que nem gordo de camiseta.
Minha professora da terceira série era meio do mal comigo. Nunca soube o motivo de tamanha discriminação!
Isso não vem ao caso no momento, mas sim o trágico episódio que irei relatar.
Numa manhã chuvosa, meus colegas haviam preparado apresentações culturais para a turma e eu, como nunca sabia de nada, não havia preparado nada. Fui apenas espectador das supostas "experimentações artísticas". Minha professora tinha orgasmos múltiplos ao presenciar tamanha desenvoltura artística de meus amados colegas de classe.
Lá pelas tantas, uma grupo de meninas (as queridinhas da bruxa do 71), resolveram, após o término da apresentação, jogar balas para a platéia. Eu parecia um polvo recolhendo tantas balas de iogurte, tão docinhas e macias. Ao longe visualizei uma bala solitária que havia se escondido do olhar guloso de meus colegas. Corri imaginando a doce maciez da bala de iogurte derretendo em minha boca. Corri e me joguei ao chão para deslizar suavemente até a bala perdida.
No meio do caminho havia um pé. Um pé asqueroso e extremamente pesado. Um pé maligno! Com um pouco de dor e um pouco constrangido com a situação, olhei para cima e notei um olhar maquiavélico, o olhar fulminante e vingativo de minha amada professora. Ela com gestos meticulosos, abaixou-se lentamente para alcançar a deliciosa-bala-de-iogurte-de-morango. Levantou com um sorriso cínico no canto dos lábios. Abriu a bala com habilidade profissional. Jogou o papel sobre meus olhos amedrontados. Colocou a bala na boca e só, então, tirou aqueles pés enormes de cima de minha mão pequenina.
Minha mão latejava. Meus olhos lacrimejavam. Maldita velha devoradora de balas. Depois de me livrar das amarras daqueles pés opressivos voltei para meu interior e decidi agir agressivamente: sentei-me só num canto para degustar as pequenas balas de iogurte.
A maciez rosada e saborosa daquelas balas permitiram-me esquecer da dor e rir daquela inquietante experiência.
Até hoje conto essa e outras histórias trágicas durante encontros etílicos com meus amigos dos tempos da escola. Essa professora nunca mais a vi, mas espero de coração que os açúcares daquelas balas de iogurte lhe tenham entupido as artérias.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
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